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O ENCONTRO DO TRAIDOR E DO ALGOZ | Versão para impressão |  Enviar por E-mail
Editorial

 Dentro de algumas horas, o presidente angolano Eduardo dos Santos iniciará uma visita oficial a Portugal.

 Será uma ocasião especial para os dois países estreitarem as suas relações, balizarem a sua caminhada conjunta no domínio da cooperação e perspectivarem o futuro. Mas a oportunidade deverá também levá-los a aplanarem eventuais divergências e a recordarem o passado, pois não se pode preparar o futuro sem ter presente o passado.

 Infelizmente, ambos os países preferem esquecer grande parte do seu passado comum, sobretudo o da fraterna e colonização e o da consequente descolonização exemplar. Mas isso não impede que as relações actuais sejam excelentes.

 Pudera! Elas constroem-se sobre o dorso de Cabinda, cujo passado (da colonização/descolonização/recolonização exemplar) continua vivo, presente e actuante.

 Para os Cabindas, a visita de Eduardo dos Santos a Portugal será apenas o encontro do traidor e do algoz!

 O traidor é aquele que faltou à palavra e violou o acordo de protectorado. O algoz é o seu cúmplice que, imbuído de arrogância, intolerância, insensibilidade e crueldade, massacra os Cabindas, com a conivência daquele e da comunidade internacional.

 Angola e Portugal, mancomunados e solidários contra Cabinda, têm uma derradeira oportunidade para, olhos nos olhos e corações nas mãos, longe dos holofotes e do sensacionalismo dos meios da comunicação social, se deixarem humanizar, terem

 presente o mal que têm causado ao povo binda, e se deixarem penetrar por um incipiente e elementar - mas genuíno e sincero - sentimento de justiça. Que ambos se apercebam que Cabinda apenas reclama justiça; que esta lhe é devida, não lhe pode ser recusada nem pode continuar a ser adiada!

  Mas esta é apenas uma ilusão. Se Cabinda estiver na agenda, será apenas na agenda dos negócios. Nesta, ela não pode faltar, não fosse o melhor negócio estabelecid

 o e existente entre ambas as partes!

 

 

 Apesar de tudo, vale a pena sonhar! O sonho prepara a realidade, sobretudo quando esta parece irrealizável.

 Os Cabindas caminham para o futuro firmados no passado, esse passado que Angolanos e Portugueses preferem esquecer e c

 alcar aos pés.

Honrar o Passado

 Muitos renegam o passado. Apodam de saudosistas aqueles que desejam dignificar o seu passado e inspirar-se dele para a construção do futuro.

 Os Cabindas precisam de se identificar com o seu passado. É ele que os transportará para o futuro.

 Por isso, agora, mais do que nunca, passarão a reviver o seu passado de protectorado. Isso implica dois pressupostos importantes: O primeiro é que, doravante, como no passado, os Cabindas, onde quer que estejam, reclamarão de Portugal a protecção diplomática.

Com efeito, este é o mais lídimo direito do cidadão do Estado protegido da parte do Estado protector.

 O segundo e mais importante é que Portugal deverá assumir a responsabilidade internacional decorrente de quaisquer actos ilícitos que possam ser imputados a Cabinda!

 A comunidade internacional - em especial as Nações Unidas, a União Europeia, a União Africana e a CPLP - deverá estar plenamente informada e totalmente ciente deste novo dado: No momento em que Eduardo dos Santos visita Portugal e o protector iníquo abraça o verdugo, Cabinda volta a aplicar(-se) o estatuto de protectorado!

 Que cada um tire as suas ilações.