| Livro sobre Cabinda de Francisco Luemba |
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| O ENCONTRO DO TRAIDOR E DO ALGOZ | | Versão para impressão | | Enviar por E-mail |
| Editorial | |
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Dentro de algumas horas, o presidente angolano Eduardo dos Santos iniciará uma visita oficial a Portugal. Será uma ocasião especial para os dois países estreitarem as suas relações, balizarem a sua caminhada conjunta no domínio da cooperação e perspectivarem o futuro. Mas a oportunidade deverá também levá-los a aplanarem eventuais divergências e a recordarem o passado, pois não se pode preparar o futuro sem ter presente o passado. Infelizmente, ambos os países preferem esquecer grande parte do seu passado comum, sobretudo o da fraterna e colonização e o da consequente descolonização exemplar. Mas isso não impede que as relações actuais sejam excelentes. Pudera! Elas constroem-se sobre o dorso de Cabinda, cujo passado (da colonização/descolonização/recolonização exemplar) continua vivo, presente e actuante. Para os Cabindas, a visita de Eduardo dos Santos a Portugal será apenas o encontro do traidor e do algoz! O traidor é aquele que faltou à palavra e violou o acordo de protectorado. O algoz é o seu cúmplice que, imbuído de arrogância, intolerância, insensibilidade e crueldade, massacra os Cabindas, com a conivência daquele e da comunidade internacional. Angola e Portugal, mancomunados e solidários contra Cabinda, têm uma derradeira oportunidade para, olhos nos olhos e corações nas mãos, longe dos holofotes e do sensacionalismo dos meios da comunicação social, se deixarem humanizar, terem presente o mal que têm causado ao povo binda, e se deixarem penetrar por um incipiente e elementar - mas genuíno e sincero - sentimento de justiça. Que ambos se apercebam que Cabinda apenas reclama justiça; que esta lhe é devida, não lhe pode ser recusada nem pode continuar a ser adiada! Mas esta é apenas uma ilusão. Se Cabinda estiver na agenda, será apenas na agenda dos negócios. Nesta, ela não pode faltar, não fosse o melhor negócio estabelecid o e existente entre ambas as partes!
Apesar de tudo, vale a pena sonhar! O sonho prepara a realidade, sobretudo quando esta parece irrealizável. Os Cabindas caminham para o futuro firmados no passado, esse passado que Angolanos e Portugueses preferem esquecer e c alcar aos pés. Honrar o Passado Muitos renegam o passado. Apodam de saudosistas aqueles que desejam dignificar o seu passado e inspirar-se dele para a construção do futuro. Os Cabindas precisam de se identificar com o seu passado. É ele que os transportará para o futuro. Por isso, agora, mais do que nunca, passarão a reviver o seu passado de protectorado. Isso implica dois pressupostos importantes: O primeiro é que, doravante, como no passado, os Cabindas, onde quer que estejam, reclamarão de Portugal a protecção diplomática. Com efeito, este é o mais lídimo direito do cidadão do Estado protegido da parte do Estado protector. O segundo e mais importante é que Portugal deverá assumir a responsabilidade internacional decorrente de quaisquer actos ilícitos que possam ser imputados a Cabinda! A comunidade internacional - em especial as Nações Unidas, a União Europeia, a União Africana e a CPLP - deverá estar plenamente informada e totalmente ciente deste novo dado: No momento em que Eduardo dos Santos visita Portugal e o protector iníquo abraça o verdugo, Cabinda volta a aplicar(-se) o estatuto de protectorado! Que cada um tire as suas ilações. |
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